>> EQUÍVOCO NA LIÇÃO 14 EBD / CPAD

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Aprecio o fervor com que o pastor e mestre Claudionor de Andrade, comentarista da atual revista da EBD para adultos, escreve sobre assuntos ligados à Cristo e ao Espírito Santo. Sem dúvida, seus ensinos neste 3° trimestre foram enriquecedores para professores e alunos que frequentaram a EBD e utilizaram as lições comentadas por este respeitado teólogo assembleiano. Porém, como todos somos passíveis de falhas, creio que o amado mestre cometeu um equívoco no texto em destaque, conforme consta na parte introdutória da Lição 14. Explico.

De fato, tanto para os judeus como, simbolicamente, para nós cristãos, o Pentecostes está intimamente ligado à Páscoa (tanto é que esta festa deveria servir como uma referência cronológica para aquela outra). Creio que é correto dizer que “Sem a Páscoa não pode haver Pentecostes”, ainda mais num sentido cristão: sem o sacrifício do Cordeiro, não há o derramamento do Espírito. Inclusive em meu livro A Mensagem da Cruz, falando desta triste realidade de muitas igrejas evangélicas que supõem estar vivendo um grande avivamento, mas sem nenhuma ênfase no calvário, eu escrevi: “Queremos Pentecostes, mas recusamos a Páscoa; desejamos as línguas de fogo, mas pisamos no sangue da nova aliança; almejamos a descida do Espírito, mas desprezamos o Cordeiro que foi erguido; queremos os dons, mas rejeitamos a cruz” (p. 157). Não há cenáculo para aqueles que não provaram primeiro as dádivas do calvário! Mesmo o batismo no Espírito Santo é uma benção exclusiva para os já salvos em Cristo Jesus. Como expressa a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, “O batismo no Espírito Santo é uma benção resultante da obra de Cristo no Calvário” (CPAD, p. 166).

Todavia, tenho que discordar da próxima declaração do Pr. Claudionor: “sem o Pentecostes, a Páscoa perde a sua eficácia”, ainda mais quando na declaração seguinte, o comentarista coloca em paralelo Páscoa/salvação e Pentecostes/batismo no Espírito Santo (que na teologia pentecostal tradicional, é uma experiência distinta da regeneração e evidenciada no falar em outras línguas). Colocado como está, parece que o comentarista está dizendo que sem o batismo com o Espírito Santo a salvação perde a sua eficácia. Isso é um erro terrível! Pois são experiências distintas, e a ausência da segunda de modo algum torna ineficaz a primeira. É perfeitamente possível ser um genuíno salvo e ir morar no céu com Cristo sem ter passado pela experiência do batismo pentecostal! Na verdade, conheci e conheço (e sei que o Pr. Claudionor também) muitos crentes sinceros que serviram a Cristo com destacada devoção, a despeito de não terem ainda (ou nunca) experimentado o batismo subsequente e com a evidência das línguas. Mas é uma pena que o texto da lição esteja como está, inclusive se repete na Verdade Prática, e possa servir para causar alguma confusão no entendimento de professores e alunos pelo Brasil afora.

Sei que se advertido da possibilidade desta confusão o Pr. Claudionor de Andrade teria redigido melhor o texto, expressando melhor seus sentimentos em relação ao assunto. Colocado como está, porém, faz-se merecedor de uma correção a fim de prevenir possíveis excessos na abordagem deste palpitante assunto em sala de aula no próximo domingo. Como é conhecido de todos o meu amor e serviço pela Escola Dominical, procedo aqui a correção apenas para dissipar dúvidas e evitar desentendimentos na última Lição deste trimestre.

Com amor e temor,

Tiago Rosas

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