LIÇÃO 01 – O MUNDO DO APÓSTOLO PAULO – 4º TRIMESTRE 2021 (At 26.1-7)

Igreja Ministério Apologético – Colina/SP.
Pastor Presidente Mauro Alves

Av. Jose Francisco Azedo, 655

LIÇÃO 01 – O MUNDO DO APÓSTOLO PAULO – 4º TRIMESTRE 2021 (At 26.1-7)

INTRODUÇÃO Nesta lição, estudaremos o mundo da época do apóstolo Paulo; notaremos um pouco do contexto histórico de Roma, Grécia e Israel, salientando a cidade de Tarso como sendo a terra natal do apóstolo dos gentios; pontuaremos ainda Paulo como um judeu carente da revelação divina e um religioso cego, como um pecador como os demais e, por fim, veremos Paulo como um homem carente da graça de Deus.

 I – O MUNDO NA ÉPOCA DE PAULO Segundo Charles Fergusson Ball (2002, pp. 08,09), asseverou que nos dias de Paulo, toda a vida do mundo concentrava-se no Mediterrâneo. Todas as grandes civilizações desenvolveram-se junto ao mar cujo nome aludia ao centro da terra. A palavra Mediterrâneo é formada por dois vocábulos que, juntos, significam ‘o meio da terra’. Todos os interesses da vida humana achavam-se concentrados numa estreita faixa que se estendia pela costa sul da Europa, pela costa norte da África e pelas costas ocidentais da Síria e Palestina. Além dessa fronteira, havia regiões inexploradas, onde viviam povos bárbaros, que só entrariam na corrente da civilização anos mais tarde. Três nações da época foram suficientemente grandes e fortes para deixar sua marca sobre as demais: Roma, Grécia e Israel. Notemos:

1.1 Roma. Os romanos governavam o mundo. Conquistaram esse direito pela força dos seus exércitos. Eles possuíam o dom da colonização e do governo. Devido ao poder de suas legiões estacionadas em todas as colônias, eram os donos do mundo. Embora poderosos, não se aproveitavam dos povos conquistados; pelo contrário, procuravam integrá-los ao seu império, dando-lhes um lugar de honra. Tanto por sua grandiosidade quanto por sua fraqueza, os romanos deixaram na história a sua marca indelével. A seu favor deve ser dito que construíram o maior império que o mundo já viu.

1.2 Grécia. Se os romanos foram os líderes mundiais no tocante à lei e ao governo, os gregos lideraram na cultura e no conhecimento. A arte, a ciência e a literatura desenvolveram-se mais na Grécia que em qualquer outra parte. Embora o império fosse romano, a língua grega foi reconhecida como o idioma empregado pelas pessoas cultas. Os gregos eram um povo genial. Guiados por Alexandre, o Grande, conquistaram o mundo e procuraram helenizá-lo. Desempenharam tão bem sua tarefa que, mesmo após a morte de Alexandre e a divisão de seu império, uma porção da arte e da literatura gregas permaneceu em cada nação. Os professores e filósofos gregos eram os intelectuais reconhecidos da época. Eles divulgaram, em todas as nações, a literatura, arquitetura e pensamento científico de seu país.

1.3 Israel. A nação, porém, que mais marcou a civilização mundial foi Israel. Sua marca jamais se apagará. Embora os judeus não tivessem poderio militar, destacaram-se por sua religião. Dispersos por todas as terras, construíam sinagogas para adorar a Deus. Isso se dera devido ao fato de a Assíria, Babilônia e Roma terem invadido a Palestina, e levado daqui milhares de judeus para o cativeiro. Onde quer que fosse, o povo escolhido levava consigo as Sagradas Escrituras e as profecias de um Messias vindouro.

II – TARSO, A CIDADE DO APÓSTOLO PAULO Paulo nunca escondeu a origem de sua terra natal. Tarso, onde Paulo nasceu e foi criado, era a capital e principal cidade da Cilícia, atual Turquia, na Ásia Menor. Nas próprias palavras do apóstolo Paulo, Tarso não era uma cidade qualquer: “Na verdade que sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia” (At 21.39-a). A expressão não pouco célebre significa, no grego “não insignificante”. Vejamos porque era uma cidade destacável:

2.1 Cidade cheia da cultura grega. Pouco antes da época do apóstolo Paulo, Tarso tinha atravessado um brilhante período de sua história, quando ela se tornou a Atenas do Mediterrâneo oriental, uma cidade universitária, para onde convergiam homens de erudição. Paulo, desde muito cedo, foi influenciado pela cultura grega enraizada em sua cidade. Isso depreendemos a partir de suas citações de filósofos (At 17.28; Tt 1.12), e, também do seu nome, que em hebraico é Saul, mas que por influência grega, era Saulo. Não é demais afirmar que sabia também falar o idioma grego.

2.2 Cidade dominada por Roma. A região de Tarso foi governada a princípio, pelos governantes selêucidas, como uma província. No entanto, quando Antíoco foi derrotado pelos romanos, a cidade de Tarso tornou-se parte de uma província romana. Na época, em que Paulo nasceu, primeiro século da era cristã, Tarso era colônia romana. Como tal, os seus habitantes desfrutavam de alguns privilégios dentre os quais a cidadania romana. A cidadania romana originalmente era restrita a nativos livres da cidade de Roma, mas, à medida que o controle romano da Itália e das terras do Mediterrâneo se ampliava, a cidadania era conferida a várias outras pessoas, de certas províncias seletas, que não eram romanos por nascimento. Por isso, quando questionado pelo tribuno: “… Dize-me, és tu romano? E ele disse: Sim. E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu o sou de nascimento” (At 22.27,28). Em outra ocasião também evocou esta cidadania (At 16.35-40). Devido a influência do latim na sua vida, Saulo também era chamado Paulo (At 13.9).

2.3 Cidade banhada pela religiosidade judaica. Por certo, havia uma sinagoga em Tarso. Paulo sendo, descendente de hebreus adquiriu uma herança nacional, cultural e religiosa. Segundo o seu próprio relato:

a) Judeu de nascimento. Ele não era um judeu prosélito; ele nasceu judeu e era um membro da raça que havia recebido o rito da circuncisão no tempo estabelecido pela lei (Gn 17.12; Lv 12.3; Fp 3.5).

b) Da linhagem de Israel. Paulo pertencia ao povo eleito, o povo do concerto, o povo exclusivamente privilegiado (Êx 19.5,6; Nm 23.9; Sl 147.19,20; Am 3.2; Rm 3.1,2; 9.4,5). Era da linhagem de Benjamim, um dos doze filhos de Jacó, a tribo de onde veio o primeiro rei de Israel, Saul. Por certo, seu nome hebreu Saulo era em homenagem a este rei. A tribo de Benjamim, não aderiu a rebelião das dez tribos, mas conservou-se com Judá sob a liderança davídica (1Rs 12.21).

c) Da seita mais rigorosa do judaísmo. Paulo era fariseu, membros da seita mais fervorosa e severa na obediência à lei de Moisés: “segundo a lei, fui fariseu” (Fp 3.5). Confira também (At 26.5). A palavra fariseu no grego “farisaios” significa: “separado”. Essa seita do judaísmo pregava a separação da vida comum e das tarefas comuns para consagrar suas vidas à observância minuciosa dos detalhes da Lei. Paulo falava a língua hebraica (At 21.40). Embora tenha nascido na cidade pagã Tarso, foi para Jerusalém e educou-se aos pés de Gamaliel (At 22.3). Era de uma pessoa como esta que Jesus necessitava, um judeu hábil no Antigo Testamento, que falava o grego e com nacionalidade romana para poder introduzir o evangelho aos povos. Segundo Champlin, “nenhum outro homem, daquela época da história, combinava essas características tão harmoniosa quanto Paulo de Tarso. Seu meio ambiente talhou-o para esse propósito” (2004, p. 323).

III – PAULO UM JUDEU CARENTE DA REVELAÇÃO DIVINA

3.1 Paulo um religioso judeu cego. Em seu extremado zelo religioso, Paulo estava cego para a realidade de que o Jesus de Nazaré que ele combatia, era o Cristo prometido nas Escrituras do AT. Por isso, consumido pelo zelo sem entendimento perseguiu este caminho até a morte (At 22.4). Escrevendo as igrejas da Galácia, testemunhou: “Porque ouvistes qual foi o meu proceder outrora no judaísmo, como sobremaneira perseguia eu a igreja de Deus e a devastava” (Gl 1.13). Diante do rei Agripa, ainda asseverou: “Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno; e assim procedi em Jerusalém. Havendo eu recebido autorização dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e contra estes dava o meu voto, quando os matavam. Muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar. E, demasiadamente enfurecido contra eles, mesmo por cidades estranhas os perseguia” (At 26.9-11).

3.2 Paulo um pecador como qualquer outro. Em seus ensinos Paulo sabia da universalidade do pecado: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Ele sabia que, mesmo tendo sido criado sob a Lei, e que o mandamento era santo, justo e bom (Rm 7.12), a Lei não tinha o objetivo de salvar, pois seu objetivo era nomear o pecado (Rm 7.7,8). Paulo também via em si mesmo uma outra lei que o impelia a fazer o mal e que jamais dela poderia se livrar, exceto por Cristo Jesus (Rm 7.14-25). Paulo, passou a dizer que a a Lei é o aio (condutor) que nos leva a Cristo Jesus (Gl 3.23-25).

3.3 Paulo, um homem carente da graça. Paulo, como todo judeu, pensava alcançar a justiça de Deus pela obediência da Lei, até que confrontado por Cristo, entendeu que o homem é justificado pela fé e não pelas obras “[…] não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” (Fp 3.9-b). Paulo se tornou o principal instrumento para transmitir o pleno significado da graça em Cristo. Não é de admirar que mais tarde ele viesse a ser conhecido como “o apóstolo da graça”. Com maestria, ele nos falou sobre a graça de Deus de forma abundante (Rm 1.5,7; 3.24; 4.4,16; 5.2; 5.15,17,18; 5.20; 5.21; 11.6). Ele afirmou que pela graça foi salvo (1Tm 1.13,14); que pela graça de Deus era o que era (1Co 15.10-a); e, por fim, que trabalhou mais que os outros apóstolos (1Co 15.10-b).

CONCLUSÃO Esta lição nos mostrou os três “mundos” do apóstolo Paulo: o romano, o grego e o judeu. Vimos que o apóstolo se comunicou na língua predominante da época, o grego koiné, bem como fez uso da vasta literatura de seu tempo e, a soma de tudo isso serviu ao Espirito Santo para que a vida do apóstolo fosse usada integralmente para a causa do Evangelho.

REFERÊNCIAS • BALL, Charles Ferguson. A vida e os tempos do apóstolo Paulo. CPAD. • BRUCE, F. F. Paulo, o apóstolo da graça. VIDA NOVA. • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS. • HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA. • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD. • VINE, E. W; et al. Dicionário Vine. CPAD.

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