“CRITICA TEXTUAL”

ANÁLISE CRÍTICA E COMPARATIVA DAS VERSÕES DA BÍBLIA ALMEIDA REVISTA E CORRIGIDA E REVISTA E ATUALIZADA: TEXTOS ENTRE COLCHETES E CACÓFATOS

Uma peculiaridade da versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) é a identificação entre colchetes de textos que não constam nos melhores e mais antigos manuscritos, fato este omitido na versão Almeida Revista e Corrigida (ARC). Segue abaixo uma lista com alguns versículos onde constam tais casos, sendo necessário ter em mãos uma Bíblia nas versões ARC  e  ARA  para conferir as informações aqui passadas:

MATEUS

5.22; 6.13b; 6.15; 9.13; 18.11; 23.14; 27.24

MARCOS

9.44, 46; 10.24; 11.26; 13.33; 14.68

LUCAS

8.43, 45; 9.56; 12.39; 17.36; 23.17; 23.38

JOÃO

5.3b-4

ATOS

8.37; 15.34; 23.30

GALÁTAS

1.3

1 JOÃO

5.7b-8a

APOCALIPSE

22.14

Sobre o fato da ARA trazer textos em colchetes, em vez de omiti-los, segue a seguinte explicação:

Visto que a edição Revista e Atualizada se baseia numa edição crítica, esses acréscimos, típicos do “texto recebido”, deveriam ter sidos tirados na tradução. No entanto, em respeito a Almeida, o tradutor, e ao leitor familiarizado com esses textos, eles foram mantidos, só que entre colchetes […]. Os colchetes indicam que o texto que eles contêm consta da tradução de Almeida, feita no século XVII, mas não faz mais parte do texto grego do Novo Testamento que hoje é considerado original.[1]

Insisto no fato de que não se trata aqui de “descartar” ou fazer uma “cruzada” contra a versão ARC, mas de trazer a tona os conhecimentos aqui expostos, para que o máximo possível de professores e estudantes da Bíblia possa ter acesso a essas informações.

OUTRAS RAZÕES PELAS QUAIS ENTENDO SER A ARA UMA VERSÃO MELHOR DO QUE A ARC

Na versão Almeida Revista e Atualizada foram eliminados cerca de dois mil tipos de cacófatos ou desagrados cacofônicos. Um cacófato é caracterizado pelo som desagradável, ou pelo vocábulo ora feio, ora risível, ora indecente, que se forma da contiguidade entre duas palavras.[2] Vejamos alguns exemplos:

– “tatu” (volta tu também, Rt 1.5)

– “alice” (e todo Israel ali se achou, Ed 8.25)

– “dentão” (Desde então, Is 44.8)

– “meja” (Teu nome Jacó, Gn 32.28)

– “porco” (Por comida, Is 62.8)

– “tetão” (Este tão grande, 1 Rs 5.7)

Há outros casos considerados repugnantes como “por Raquel” em Gn 29.18.

A própria impressão textual da ARA se destaca em relação a ARC pelos seguintes fatores:

– A primeira letra da palavra que inicia um parágrafo foi impressa em negrito

– Os textos poéticos, como, por exemplo, Salmos, passaram a ser impressos como poesia

– O nome de Deus (Javé), no Antigo Testamento, foi traduzido por SENHOR e impresso com letras maiúsculas (versalete)

Dessa forma, não apenas o texto da ARA em relação ao grego é melhor. A sua  leitura na língua portuguesa é também de qualidade superior.

[1] Bíblia de Estudo Almeida. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006, p. 302 do Auxílio para o Leitor.

[2] 1600 anos da primeira grande tradução ocidental da Bíblia – Jerônimo e a tradução da Vulgata Latina (Fórum de Ciências Bíblicas). Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006, p. 29

Postado por ALTAIR GERMANO às 11:13

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quinta-feira, 12 de junho de 2014

ANÁLISE CRÍTICA E COMPARATIVA DE ALGUMAS VARIAÇÕES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO NAS VERSÕES ALMEIDA REVISTA E CORRIGIDA (ARC) E ALMEIDA REVISTA E ATUALIZADA (ARA) – DIVERSOS CASOS

Seguiremos em nossa abordagem apresentando outras diferenças entre as versões ARC e ARA, e explicando a razão de existirem. Insisto na necessidade de trazer o assunto à tona, pois muitos obreiros e professores ficam em dificuldades na hora em que membros e alunos buscam explicações para tal fenômeno, pois compreendem que as traduções da Bíblia são “perfeitas” em questões textuais, quando sabemos que perfeição textual só existe nos autógrafos, ou seja, no texto que saiu diretamente das mãos dos escritores do Novo Testamento. Analise os exemplos abaixo:

Mateus 21.29

Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas, depois, arrependendo-se, foi. (ARC)

Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi. (ARA)

Além das questões do texto grego, temos aqui favorável a ARA o fato de fazer sentido, no momento em que o primeiro filho “não vai”, o pai ter pedido ao segundo filho para que fosse.

Lucas 1.28b

E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres. (ARC)

E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo. (ARA)

O final do v. 28 εὐλογημένη σὺ ἐν γυναιξίν (bendita é tu entre as mulheres) não aparece no Texto Crítico, e consequentemente foi omitido na ARA. Se a presença do final aqui citado fosse original, não teria como ser explicada ao certo a razão de alguns copistas terem sido levados a omiti-lo em uma grande diversidade de manuscritos antigos. O texto foi provavelmente inserido com base no v. 42.

Lucas 14.5

E disse-lhes: Qual será de vós o que, caindo-lhe num poço, em dia de sábado, o jumento ou o boi, o não tire logo? (ARC)

A seguir, lhes perguntou: Qual de vós, se o filho ou o boi cair num poço, não o tirará logo, mesmo em dia de sábado? (ARA)

No Texto Recebido lemos ὄνος ἢ βοῦς (jumento e boi), enquanto noTexto Crítico lemos  υἱὸς ἢ βοῦς (filho e boi).

Visto que ficava estranho associar “filho” com “boi”, alguns copistas teriam trocado υἱὸς (huiós) por ὄνος (ónos).[1]

João 8.9

Quando ouviram isso, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficaram só Jesus e a mulher, que estava no meio. (ARC)

Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. (ARA)

Aqui a ARC não segue o Texto Recebido, omitindo “e acusados pela própria consciência”, enquanto a ARA mantém a frase.

Percebe-se aqui, que a ARC não mantém absoluta fidelidade ao Texto Recebido, e nem a ARA ao Texto Crítico, embora cada um dos textos gregos, de forma geral seja a base de cada uma das versões.

Romanos 8.1

Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. (ARC)

Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. (ARA)

Manuscritos copiados mais recentemente introduziram no texto de Romanos 8.1 palavras tiradas de Romanos 8.4 μὴ κατὰ σάρκα περιπατοῦσιν, ἀλλὰ κατὰ πνεῦμα (que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito). O texto mais breve tem sólido apoio nos melhores e mais antigos manuscritos.[2]

Apocalipse 1.5

e da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, (ARC)

e da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, (ARA)

No Texto Recebido (ARC) temos λούσαντι (lavou) enquanto no Texto Crítico (ARA) λύσαντι (libertou).

Deve-se preferir a leitura λύσαντι (libertou) porque tem apoio nos melhores manuscritos, porque concorda com a linguagem do AT (Is 40.2 LXX), e porque combina melhor com a ideia expressa no v. 6a, ou seja, ela nos “liberta” e nos constitui “reino”.[3]

É claro que o sangue de Jesus nos “lava” e “liberta”, mas na hora da elaboração de uma mensagem, seguir uma das duas opções conduzirá o pregador e ensinador para abordagens diferentes.

Longe de querer “descartar” a ARC, o propósito aqui é o de dar condições aos que se instrumentalizam da Bíblia, para que possam entende e considerar de forma crítica as diferenças entre as versões ARC e ARA, para com isso terem a autonomia de poder optar por aquela versão que se aproxima mais do que há de melhor em termos de texto grego na atualidade, e que no meu entendimento é o Texto Crítico, e consequentemente a versão ARA.

Sou plenamente a favor de que a Casa Publicadora das Assembleias de Deus disponibilize Bíblias nas duas versões, e que breve tempo uma nova discussão sobre uma “versão oficial” venha a tona nas assembleias da CGADB.

Continuaremos a escrever sobre o assunto, e a levantar outras questões sobre os textos e versões aqui comparadas.

Segue abaixo os links onde os amados leitores podem ter acesso aos textos gregos aqui citados e comparados:

-Texto Recebido (versão de Stephanus)

-Texto Crítico (28ª edição de Nestle-Aland)

 

[1] OMANSON, Roger L. Variantes textuais do Novo Testamento: análise e avaliação do aparato crítico de “O Novo Testamento Grego”. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010, p. 138.

[2] Ibid., p. 307.

[3] Ibid., p. 547.

Postado por ALTAIR GERMANO às 16:08

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sexta-feira, 6 de junho de 2014

ANÁLISE CRÍTICA E COMPARATIVA DE ALGUMAS VARIAÇÕES TEXTUAIS DO NOVO TESTAMENTO NAS VERSÕES ALMEIDA REVISTA E CORRIGIDA (ARC) E ALMEIDA REVISTA E ATUALIZADA (ARA) – MATEUS 17.21

Por vários motivos as denominações evangélicas adotam determinada versão do texto bíblico como “oficial” para os seus atos litúrgicos e fins doutrinários. Nas Assembleias de Deus do Brasil, essa versão é a Almeida Revista e Corrigida (ARC), e pelo que tudo indica ainda se mantém assim em razão do “costume” com o referido texto.

Diante da adoção de uma versão oficial, o que me assusta, é a quantidade de obreiros e demais membros em geral, que nunca se perguntaram ou questionaram sobre a razão de tal escolha, e mais, nunca compararam a ARC com outras versões, nem tampouco, ao perceberem divergências textuais com outras versões, não foram adiante para entender a razão de tais divergências, e se isso de alguma forma afetava questões de ordem doutrinária e teológica.

Quando se analisa criticamente e seriamente determinada versão da Bíblia, a referida versão se fortalece como o “melhor texto”, ou se percebe a necessidade de adotar em seu lugar uma versão mais fiel aos originais, ou ainda chega-se a conclusão de que se pode ter esta ou aquela versão no mesmo nível de confiabilidade em relação aos manuscritos originais, e consequentemente com a melhor fidelidade possível aos autógrafos (textos produzidos pelas mãos dos escritores bíblicos).

Nossa proposta se relaciona com o interesse de buscar o melhor texto (ou melhores textos) para a atualidade, partindo da análise comparativa entre os principais textos críticos utilizados para tradução do Novo Testamento na atualidade (Textus Receptus e Texto Crítico), analisando alguns casos nas traduções e versões para a língua portuguesa, com ênfase na ARC e ARA.

1º CASO – Mateus 17.21

τοῦτο δὲ τὸ γένος οὐκ ἐκπορεύεται εἰ μὴ ἐν προσευχῇ καὶ νηστείᾳ (Textus Receptus, Stephanus)

Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum. (ARC)

[Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum.] (ARA)

ANÁLISE DO TEXTO GREGO

O Novo Testamento Grego (4ª Ed.), que em sua apresentação informa que: “Hoje, pode-se afirmar que, a menos que se descubram novos manuscritos, o estudo do texto do Novo Testamento Grego está concluído. E os resultados desse trabalho aparecem na edição que o leitor tem, agora, em mãos.”[1], omite o texto do versículo 21, que aparece no Textus Receptus, conforme acima transcrito.

Por essa razão, a ARA coloca o texto entre parêntesis, indicando que o mesmo não fazia parte dos manuscritos gregos, visto que tal versão toma como base o Novo Testamento Grego, enquanto a ARC traduz normalmente, pois tal versão teve o Textus Receptus como base.

Kurt e Barbara Aland, afirmam que devido ao prestígio e significado do jejum na Igreja antiga, e também no período monástico de toda a idade Média, a leitura mais breve (com a omissão) não teve tanto apoio, mas que a ausência do v. 21, isto é, a sua não pertença ao texto original de Mateus é mais do que suficientemente comprovada em diversos manuscritos, e que se esse texto tão popular tivesse constado do original, ninguém teria ousado omiti-lo.[2]

Mateus 17.21 teria sido a reprodução posterior de Marcos 9.29, que também, por sua vez, teria sofrido o acréscimo posterior do termo “e jejum”. Verifique que na ARA a palavra “e jejum” aparece entre colchetes no final de Marcos 9.29. A ARC não faz observação alguma.

Sobre a passagem de Mateu 17.21, Omanson comenta:

Não existe razão suficiente que poderia ter levado copistas a omitir esse versículo numa variedade tão grande de manuscritos, caso fosse, originalmente, parte do texto de Mateus. Com frequência, copistas inseriam num Evangelho material que se encontra em outro. Neste caso, parece que o acréscimo de “Mas esse tipo não sai senão por meio de oração e jejum”, que aparece na maioria dos manuscritos, foi tirado do paralelo em Mc 9.29.[3]

ANÁLISE TEOLÓGICA

Passaremos a citar a posição de teólogos e comentarista bíblicos sobre o texto em questão.

O teólogo alemão Rienecker, em seu comentário do evangelho de Mateus, reconhece o fato do v. 21 não constar no texto original editado por Nestle, omitindo assim qualquer comentário sobre o texto.[4]

  1. A. Carson, Ph.D. pela Universade de Cambrige, e professor de Novo Testamento na Trinity Evangelical Divinity School, Deerfiel, Ilinois, EUA, comenta que o texto do v. 21 se trata de:

[…] informação omitida por uma poderosa combinação de testemunhos. É obviamente uma assimilação do paralelo sinótico de Marcos 9.29. Não motivo evidente de por que, se ela for original, devia ser omitida; e a harmonização textual é, de forma bem demonstrável, um processo secundário.[5]

O Comentário Bíblico de Moody, editado por Pfeiffer e Harrison, diz que “O versículo 21 foi omitido nos melhores manuscritos, sendo uma interpolação de Mc. 9.29”.[6]

Champlin, em seu comentário, destaca não haver razão para a passagem do v. 21 ter sido omitida, caso a mesma estivesse presente originalmente em Mateus, e considerando que os copistas com frequência inseriam material derivado de outro evangelho, parece que na maioria dos manuscritos foi assimilada do paralelo de Marcos 9.29.[7]

David H. Stern, judeu messiânico e erudito bíblico, diz que “Os manuscritos que acrescentaram o v. 21 provavelmente o pegaram emprestado de Marcos 9.29.”[8]

Samuel Pérez Millos, Mestre em teologia pelo Instituto Bíblico Evangélico a Espanha, comenta:

Este versículo não aparece nos mais confiáveis manuscritos, mas somente em códices de pouca confiança. Com toda certeza foi copiado de Marcos 9.29, sendo também que ali encontramos “jejum”, que inicialmente não estava nos manuscritos.[9] (tradução do autor)

As obras “Comentário Bíblico Africano” (Mundo Cristão), “Comentário al Nuevo Testamento de William Barclay” (Editora Clie) e “Vincent: estudos no vocabulário grego do Novo Testamento” (CPAD), não trazem nenhuma observação ou comentário sobre o referido versículo.

Robertson, cujo comentário de Mateus e Marcos foi publicado pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), e aprovado pelo Conselho de Doutrina da CGADB, não comenta Mateus 17.21, mas, em se tratando de Marcos 9.29 diz:

Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração(Τοῦτο τὸ γένος ἐν οὐδενὶ δύναται ἐξελθεῖν εἰ μὴ ἐν προσευχῇ). A adição de “e jejum” não aparece nos dois manuscritos gregos mais antigos (א e B). É claramente uma adição recente para ajudar a explicar o fracasso dos nove discípulos. Mas é desnecessária e também infiel. Foi a oração que os nove discípulos não fizeram. Não tiveram poder, porque não tinham oração.[10]

Conforme Robertson, o “e jejum” de Marcos 9.29 (Καὶ νηστείᾳ), não nos oferece bases sólidas para construirmos uma doutrina sobre a relação do jejum com a expulsão de demônios.

ANÁLISE PRÁTICA

Diante das questões aqui comentadas, como devem se posicionar os que ensinam e pregam o Novo Testamento, diante dos textos de Mateus 17.21 e Marcos 9.29? Entendo que, partindo do pressuposto de que o texto do Novo Testamento Grego é o mais confiável na atualidade (até que novas descobertas provem o contrário), e sendo a base da versão Almeida Revista e Atualizada (ARA), incorrem num risco maior de se distanciarem dos originais, os que tomam a versão Almeida Revista e Corrigida, e com base nela, e nos referidos textos, elaboram doutrinas, ensinos e pregações.

Mateus 17.21 deve ser evitado, enquanto em Marcos 9.29, para discorrer sobre o poder de expulsar demônios, a ênfase deve ser dada à oração.

Como continuaremos a observar nas próximas análises comparativas entre as versões ARC e ARA, tendo como base as atuais evidências científicas (e até que novas e melhores descobertas surjam), não recomendo a utilização de textos comprovadamente duvidosos no ensino e na pregação do Novo Testamento.

[1] O Novo Testamento Grego: com introdução em português e dicionário grego-português. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

[2] ALAND, Kurt; ALAND, Barbara. O texto do Novo Testamento: introdução às edições científicas do Novo Testamento Grego bem como à teoria e prática da moderna crítica textual. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013, p. 310.

[3] OMANSON, Roger L. Variantes textuais do Novo Testamento: análise e avaliação do aparato crítico de “O Novo Testamento Grego”. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010, p. 27.

[4] RIENECKER, Fritz. O Evangelho de Mateus: comentário esperança. Curitiba-PR: Editora Evangélica Esperança, 1998, p. 306.

[5] CARSON, D. A. O comentário de Mateus. São Paulo: Shedd Publicações, 2010, p. 459.

[6] PFEIFFER, Charles F.; HARRISON, Everet (Ed.). Comentário Bíblico Moody: os Evangelhos e Atos. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1987, p. 43.

[7] CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo: São Paulo: Hagnos, 2002, p. 459, v. 1.

[8] STERN, David H. Comentário Judaico do Novo Testamento. Editora Atos, 2008, p. 82.

[9] MILLOS, Samuel Pérez. Comentário Exegético al texto griego del Nuelvo testamento: Mateo. Barcelona, Espanha: Editora Clie, 2009, p. 1179.

[10] ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & Marcos: à luz do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 459.

Postado por ALTAIR GERMANO às 15:39

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sábado, 31 de maio de 2014

AS ORIGENS DO TEXTO DO NOVO TESTAMENTO DAS VERSÕES DA BÍBLIA ALMEIDA REVISTA E CORRIGIDA E REVISTA E ATUALIZADA

Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Tm 2.15, ARA)

Foi ministrando em diversas Escolas Bíblicas de Obreiros nas Assembleias de Deus no Brasil, que descobri o quanto a grande maioria de nossos pastores e líderes desconhecem as questões que envolvem a tradução da Bíblia para a língua portuguesa, e de forma mais específica aqui tratada, a do Novo Testamento.

No contexto assembleiano brasileiro, a versão da Bíblia adotada para fins litúrgicos e doutrinários, é a Almeida Revista e Corrigida, cujo texto foi adotado pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus, em suas publicações oficiais.

A questão que levanto aqui, diz respeito a continuidade da Almeida Revista e Corrigida na condição de versão “oficial” das Assembleias de Deus no Brasil, tendo em vista as mais novas descobertas no campo da crítica textual do Novo Testamento.

Até que ponto, em nome de uma tradição denominacional, ou por outras questões, como por exemplo, a política eclesial, deve-se negligenciar tal discussão, diante das enormes evidencias e descobertas na atualidade?

Para a presente discussão, convidamos a todos que se interessam pelo tema, principalmente pastores, biblistas, linguistas, teólogos e pesquisadores, no sentido de colaborarem com suas opiniões, fundamentados no vasto material bibliográfico e crítico, disponível em língua portuguesa.

O DESENVOLVIMENTO DO TEXTO DO NOVO TESTAMENTO DA BÍBLIA ALMEIDA REVISTA E CORRIGIDA

João Ferreira de Almeida nasceu em Torre de Tavares, próximo a Lisboa, em 1628. Deixou Portugal aos 14 anos de idade, partindo para a Holanda, e de lá para Málaca, nas índias Orientais. No Oriente, Almeida passou a congregar na Igreja Reformada Holandesa, sendo ordenado ao ministério no dia 16 de outubro de 1658. Sua educação teológica se deu com aulas particulares. Almeida não freqüentou Seminário ou Faculdade de Teologia.[1]Exerceu o pastorado na cidade de Batávia, na ilha de Java, até setembro de 1689, vindo a falecer em 1691, aos 63 anos de idade.[2]

A tradução do Novo Testamento a partir do texto grego foi concluída por Almeida em 1670, vindo a ser publicado somente em 1681, onde se calcula uma tiragem de mais de mil exemplares, visto que a terceira edição, de 1972, foi de apenas 1250 exemplares.[3]

Uma parte da página 336 (parte de João 18) do Novo Testamento grego de Erasmo de Roterdã, do primeiro “Textus Receptus”

Do processo de tradução de Almeida as informações são bastante escassas. Naquela época, o texto grego do Novo Testamento disponível era o Textus Receptus (publicado originalmente por Erasmo de Roterdã, em 1516, com base em alguns poucos manuscritos gregos do século doze e treze).[4] Se Almeida usou a mais recente edição desse texto, logo se deduz que seu processo de tradução partiu da segunda edição publicada pelo irmãos Elzevir, em 1633. Foi através de Elzevir que o texto de Erasmo recebeu o nome de Textus Receptus, oriundo da seguinte descrição feita pelo mesmo: “O que tens aqui, pois, é o texto que hoje é universalmente recebido: nós o apresentamos livre de quaisquer alterações e corrupções.”[5] O Textus Receptus chegou a ser considerado como tendo autoridade canônica, apesar de todos os seus erros, à luz do que se sabe na atualidade.[6] Além do texto grego, Almeida se utilizou para a sua tradução de versões da língua espanhola, francesa, italiana, holandesa e latina.[7]

As edições que se seguiram a tradução de Almeida publicada em 1681 são as de 1693, composta por João Vries, na cidade da Batávia, em Java Maior. Após a terceira edição, publicada em 1712, foi feita uma grande revisão, também na ilha de Java, tendo como membros da Comissão revisora o pastor Mohr e um amigo anônimo. Outra revisão foi feita em Londres, entre 1869 e 1875, e em 1894. Uma pequena revisão ortográfica foi realizada em 1916 em Portugal. Essas edições de Almeida foram trazidas ao Brasil e aqui distribuídas pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.[8]

No Brasil, em sua Edição Revista e Corrigida, houve revisões do texto de Almeida, onde as edições datam de 1848 (1ª edição), 1969 (2ª edição), 1995 (3ª edição) e 2009 (4ª edição).[9] As novidades da 4ª edição de Almeida Revista e Corrigida são:

– O termo “caridade”, nas passagens em que era utilizado (1 Co 13, Mt 24.12, Rm 12.9, Ef 5.2, etc) foi substituído por “amor”;

– O “S.” de “Santo” ou “São” que aparecia anteposto aos nomes dos escritores bíblicos foi eliminado;

– Alguns verbos foram alterados para refletirem com mais exatidão e clareza o sentido do texto original grego, como por exemplo, em 1 João 3.4, 6, 8, 9;

– Foram incorporadas as mudanças previstas na reforma ortográfica da língua portuguesa, vigente a partir de 2009.

O DESENVOLVIMENTO DO TEXTO DO NOVO TESTAMENTO DA BÍBLIA ALMEIDA REVISTA E ATUALIZADA

No ano de 1943, a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira juntamente com a Sociedade Bíblica América, que atuavam no Brasil naquele tempo, resolveram preparar e publicar uma revisão da tradução de Almeida. Essa revisão, que, a partir de 1948, passou aos cuidados e responsabilidade da Sociedade Bíblica do Brasil, viria a ser conhecida como a Almeida Revista e Atualizada. A Comissão de revisão contou com biblistas e vernaculistas de renome, membros das mais diversas denominações evangélicas presentes no Brasil por ocasião dos trabalhos. A revisão do Novo Testamento foi publicada em 1952. A revisão do Antigo Testamento foi concluída em menos tempo, em 1956, pois uma comissão se dedicou a essa tarefa em tempo integral. A Bíblia toda foi publicada em 1959. A 2ª segunda edição de Almeida Revista e Atualizada foi publicada, no Brasil, em, 1993.[10] O texto vigente da 2ª edição de Almeida Revista e Atualizada já está em conformidade com a reforma ortográfica de 2009.

Uma das principais diferenças entre as edições Revista e Corrigida e Revista e Atualizada diz respeito ao texto grego adotado como base para a tradução do Novo Testamento. Como já mencionamos, no século XVII, Almeida dispunha apenas do Textus Receptus (Texto Recebido), que tem sua origem no Novo Testamento grego editado por Eramo de Roterdã, em 1516, e baseado em alguns poucos manuscritos gregos copiados durante a Idade Média. O texto recebido era o único texto grego disponível naquele tempo.[11]

A 4ª edição do Novo Testamento Grego

Durante os séculos 19 e 20, foram descobertos manuscritos gregos mais antigos, muitos deles datados do quarto século d.C. e até mesmo antes disso. Foi com Karl Lachman (1793-1851), um professor de filologia clássica em Berlim, que se iniciou os questionamento sobre a continuidade da relevância do Textus Receptus como base das traduções do Novo Testamento: “Fora com o Textus Receptus, que é de origem mais recente, e de volta ao texto da Igreja antiga do quarto século!”. Este lema marcou o trabalho das gerações seguintes, que culminou nos dias atuais com a 4ª edição revisada do Novo Testamento Grego, publicada pelas Sociedades Bíblicas Unidas, em 1993. As edições anteriores do Novo Testamento Grego (The Greek New Testament) datam de 1966 (1ª edição), 1968 (2ª edição) e 1975 (3ª edição).

A Comissão que revisora da atual edição do Novo Testamento Grego partiu da elaboração de uma seleção textual totalmente nova, fundamentada em testes de verificação de toda a tradição manuscrita grega disponível no Instituto de pesquisa Textual do Novo Testamento, em Münster, na Alemanha. O critério para se aceitar o testemunho de versões e Pais da Igreja foi a disponibilidade de toda a evidência confiável para o texto do Novo Testamento que estes apresentam, à base da pesquisa erudita de nossos dias.

A 4ª edição do Novo Testamento Grego, juntamente com a 27ª edição de Nestle-Aland, é a mais conhecida e mais usada por comissões de tradução da Bíblia em todo mundo.[12] Os especialistas afirmam que, a menos que se descubram novos manuscritos, o estudo do texto do Novo Testamento Grego está concluído.

Foi exatamente a partir da 16ª edição do Novo Testamento Grego editado por Erwin Nestle, considerado o melhor texto grego na época, que a Almeida Revista e Atualizada foi elaborada.[13]

Se o texto grego para a versão de Almeida Revista e Atualizada é melhor que o texto grego utilizado para a Almeida Revista e Corrigida, qual a razão, enquanto denominação, em insistirmos no uso “oficial” de uma versão comprovadamente já superada, em relação ao que hoje temos como texto mais próximo dos originais do Novo Testamento?

Estariam os especialistas equivocados? Fazem eles parte de uma “conspiração” contra o Textus Receptus como alguns acusam? Estão eles a serviço de meros interesses comerciais ou institucionais? Até que hajam provas no sentido de desqualificar os especialistas envolvidos na produção do atual texto crítico do Novo Testamento, penso ser de extrema urgência ponderar e agir em relação às questões aqui levantadas e consideradas.

Sequenciaremos nossa discussão, apresentando as principais diferenças textuais entre as versões Almeida Revista e Corrigida e Almeida Revista e Atualizada, e suas implicações para a interpretação e exposição (pregação e ensino) do Novo Testamento nos dias atuais, em especial no contexto pentecostal assembleiano brasileiro, para quem originalmente escrevo.

Pr. Altair Germano

Abreu e Lima-PE, 31/05/2014

[1] ALVES, Herculano. João Ferreira de Almeida, tradutor da Bíblia inA tradução da Bíblia para a língua portuguesa: 325 anos da 1ª edição do Novo Testamento em português. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007, p. 23-24.

[2] SCHOLZ, Vilson. Bíblia de Almeida: sua origem, as revisões e os princípios envolvidos in 1600 anos da primeira grande tradução ocidental da Bíblia: Jerônimo e a tradução da Vulgata Latina. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006, p. 7-11.

[3] Ibid., p. 9-10.

[4] ALAND, Kurt; ALAND, Barbara. O texto do Novo Testamento: introdução às edições científicas do Novo Testamento Grego bem como à teoria e prática da moderna crítica textual. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013, p. 5.

[5] Ibid., p. 6.

[6] Ibid., p. 8.

[7] ALVES, Herculano. Ibid., p. 24-32.

[8] SCHOLZ, Vilson. Ibid., p. 18-20.

[9] Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

[10] Bíblia de Estudo Almeida. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.

[11] Ibid.

[12] O Novo Testamento Grego: com introdução em português e dicionário grego-português. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

[13] Bíblia de Estudo Almeida. Ibid.

Postado por ALTAIR GERMANO às 15:17

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