O PREGADOR POLITICAMENTE INCORRETO

Autor da resenha: Valdemir Pires Moreira (1)
Obra: João Batista: o pregador politicamente incorreto (ZIBORDI, Ciro Sanches. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, 112 p.)O ministério eclesiástico enfrenta atualmente uma crise de identidade, pois não são poucos aqueles que almejam tal posição em busca de promoção pessoal. Quando observamos alguns personagens bíblicos, somos confrontados com o comportamento ético com que viviam diante de Deus, contrariando assim, muitos dos que em nossos dias, usam o santo ministério para promoção pessoal em prol de benefícios outros. João, também chamado de João Batista, é um desses personagens, que ao ser convocado por Deus, cumpre cabalmente seu ministério, não procurando o engrandecimento de sua própria pessoa.

Na introdução, Zibordi faz uma rápida análise sobre o número sete nas Escrituras, observando que: “Nas Escrituras, o número sete raramente aparece sem um propósito definido e pode denotar perfeição, plenitude ou totalidade”. Em seguida o autor discorre sobre sete pregadores (João Batista, Jesus Cristo, Pedro, Estevão, Felipe, Barnabé e Paulo) para dar ênfase as qualidades e marcas que os faz serem pregadores aprovados por Deus.

No primeiro capítulo, o autor narra uma história em parte ficcional (Jo 1.19-36; Lc 3.15-20 e Jo 3.23-30), porém carregada de verdades bíblicas, que é bem próprio de seu estilo de escrita. A história narra uma entrevista feita pelos sacerdotes a João Batista. Em seguida, lança-se luz sobre o João Batista histórico e as fontes bíblicas e históricas que confirmam sua existência.

O segundo capítulo traz o título The Voice, onde o autor faz comentários acerca de João Batista, como embaixador de Deus, seu chamado confirmado no deserto, sua vida de oração e jejum, e sobre a discussão envolvendo João Batista, se ele era ou não um essênio? O autor traça ainda o ambiente desértico vivido por João Batista, sua origem e seu ministério profético em meio ao deserto.

No terceiro capítulo, o assunto é a pregação politicamente incorreta, em que será tratado sobre a ditadura do politicamente correto (como uma das marcas da sociedade pós-cristã), seguida de uma análise de um mundo politicamente correto, de um papa politicamente correto e, ainda, sobre um evangelho politicamente correto. Finaliza-se o referente capítulo contrapondo ambos os pontos analisados a partir de João Batista, o pregador politicamente incorreto.

O quarto capítulo gira em torno da mensagem cristocêntrica de João Batista, um simples pregador que obteve grande resultado como precursor do Salvador. O autor ainda fala sobre a vestimenta de João Batista, bem como sua alimentação de mel e gafanhotos que são motivos de curiosidade de muitos. Um dos destaques deste capítulo é uma atual discussão no cenário teológico brasileiro: o autor descreve os cinco pontos (FACTS) do arminianismo e seu relacionamento com um evangelho cristocêntrico. Como observa o autor, para os pentecostais os teólogos Jacó Armínio e John Wesley foram os que melhor interpretaram a soteriologia bíblica.

No quinto capítulo, Zibordi fala-nos acerca de dois batistas mencionados no NT. Um que batizava em água (João Batista) e outro que batiza com o Espírito Santo e com Fogo (Jesus Cristo). Em seguida o autor discorre sobre pontos fundamentais da teologia pentecostal e fala-nos sobre o que é ser cheio do Espírito. Jesus batiza com Fogo? Afinal, o que é batismo com o Espírito Santo e com Fogo? O que são as Línguas como que de Fogo? Após essa última interrogação, o autor explica o que são línguas como evidência do batismo no Espírito, línguas como dom e línguas como edificação do crente.

No penúltimo capítulo, observa-se a postura de João Batista como pregador, contrastando-a com a dos pregadores stand-up e coach de nossos dias.

No último capítulo, que traz o título Acabou a Carreira, Perdeu a Cabeça, Guardou a Fé, o autor descreve sete passos necessários que nos levam a “perder a cabeça” diante da sociedade politicamente correta em que vivemos. São eles: obedeça fielmente ao chamado de Deus; pregue o arrependimento e seja politicamente incorreto; preocupe-se menos com a aparência e consagre-se a Deus; não abra mão da mensagem cristocêntrica; seja cheio do Espírito Santo e creia no pentecostes; não queira aparecer, mas dê toda a glória a Jesus; e priorize a Palavra de Deus, e não os sinais.

A obra é necessária e urgente no contexto atual que estamos vivendo, em que falsos pregadores exaltam-se a si mesmos e pregam um evangelho antropocêntrico, desprovido dos princípios do verdadeiro Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Tomemos aqui esses conselhos deixados pelo pastor Ciro Sanches Zibordi e cumpramos fielmente o chamado de Deus em nossas vidas.

(1) Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), casado com Elizangela Pires Oliveira Moreira, bacharel eclesiástico pelo ICI BRASIL – Instituto Cristão Internacional e administrador do Canal Teologia Pentecostal Assembleiana (Youtube)

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