PRESIDENTE DA REPÚBLICA: É PRECISO MAIS QUE SABER DAR GLÓRIA A DEUS E ALELUIA

Daniel, Mizael, Ananias e Azarias não foram elevados ao posto de ministros do governo babilônico por falarem o nome do Senhor abusivamente e irrefletidamente, nem por darem piruetas no palácio de Nabucodonosor, ou por viverem dando gritos de glória a Deus e aleluia a cada frase que falavam. Eles eram relevantes para o reino, na medida em que eram “instruídos em toda a sabedoria, e doutos em ciência, e entendidos no conhecimento, e tinham habilidade para assistirem no palácio do rei”, e que estavam dispostos a aprender mais sobre “as letras e a língua dos caldeus” (Daniel 1.4).

Indubitavelmente, a sabedoria divina concedida a Daniel e o espírito intransigente daqueles jovens quando chamados a darem prova de sua fidelidade ao seu Deus e à sua religião, são dignos de nossa atenção, pois por tais virtudes foram confirmados e exaltados a postos de maior prestígio na política babilônica e persa. Mas creio que essa prova de fidelidade a Deus hoje não é dada por meio de um uso irrefletido de “gírias evangélicas”, de um “sotaque crentês” ou de um abuso na referência ao nome de Jesus e a textos bíblicos quando em apresentações públicas. Esta prova de fidelidade a Deus e a fé cristã é dada quando vêm a oferta de propinas para enriquecimento pessoal, sugestão de leis escusas para oprimir os pobres e favorecer ricos, tentações para perversão da justiça, possibilidade de uso da máquina pública para favorecer parentes e camaradas (Daniel não foi perseguido porque orava, mas devido “suas grandes qualidades… ele era fiel; não era desonesto nem negligente” – Dn 6.4), propostas para legalização do aborto, pedidos de apoio e discursos públicos em favor do ativismo gay… É nessa hora que, com inteligência, clareza e sabedoria se deve demonstrar a coragem para recusar tomar parte nos “manjares do rei” (Dn 1.8), e não se acomodar ao presente século (Rm 12.1).

Vejo o valente militar cabo Daciolo e percebo nele, até onde me é possível saber, um evangelista destemido (não um profeta também, como já pintam o irmão por aí!), daqueles que não temem abrir a Bíblia e falar de Jesus onde estiverem: nas praças, ruas, ônibus, lugares públicos ou privados. E eu até acho que na Câmara dos Deputados ele possa dar alguma contribuição junto aos mais de 500 deputados. Agora, imaginar Daciolo sentando numa cadeira do executivo maior de nossa nação, aí realmente já é um desvio de vocação. Ele poderá até vir a se preparar, mas aí a pedra bruta precisaria ser bem lapidada durante algum longo tempo.

Quando eu digo que precisamos de cristãos na política, não me refiro a pessoas que sejam eleitas apenas pelo fato de serem cristãs e cheguem lá para fazerem um monte de nada. É preciso que sejam cristãos semelhantes àqueles quatro jovens judeus, vibrantes em sua fé, é verdade, mas também “instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência…”, para que se posicionem com clareza, objetividade, conhecimento e sabedoria em favor das causas que de fato e de verdade possam contribuir a partir de uma cosmovisão cristã para a ordem e o progresso da nossa nação como um todo (não apenas das igrejas, diga-se de passagem!). Sim, que sejam homens como Daniel, que subam ao seu quarto para orações, e que não se neguem a falarem de sua fé quando lhes for pedido ou quando forem confrontados e ameaçados; mas que ao menos saibam diferençar a cadeira de um presidente da cadeira de um pastor; o microfone de um debate eleitoral do microfone de um púlpito evangélico; e a oportunidade de falar sobre seu programa de governo para os eleitores da oportunidade de falar de seu Senhor e Salvador para os pecadores. Não foi Salomão quem disse: “Tudo tem seu tempo determinado”? (Ec 3.1). Então saibamos dividir as coisas, sem precisar negar a nossa fé ou, menos ainda, colocá-la como objeto de chacota gratuita entre os descrentes.

Sejamos relevantes!

Tiago Rosas

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